quinta-feira, 3 de setembro de 2020

O LIBERAL VICTORIENSE

Semanário Democrático e Literário - Noticiou o Jornal do Recife, de 14 de maio de 1869, haver sido obsequiado, "pela respectiva redação, com o primeiro número" da nova folha, publicado no dia 8. Sucedendo a O Echo Liberal, imprimiu-se na mesma tipografia, sob a direção de Manuel Bernardo Gomes Silvério. Apresentava o slogan: "Quando a liberdade periga, todo cidadão deve ser um revolucionário".

Jornal de vida extensa, dele só existem, na Biblioteca Pública do Estado, dois comprovantes: nº 5, ano V, de 19 de maio de 1873, não mais exibindo o slogan e com editorial de crítica a O Município, e nº 164, ano VIII, de 27 de janeiro de 1877. Tinha bom formato 36 x 27, com quatro páginas a quatro colunas de composição. Assinava-se a 10$000 por anualidade, acrescidos de 2$000 para fora da cidade; o semestre a 6$000 e o trimestre a 3$000.

O mencionado nº 164 atacou, avidamente, o Juiz de Direito local, 129 Marcos Correia da Câmara Tamarindo, que tinha cobertura de defesa por parte do periódico Idéa Conservadora. Duas páginas da edição eram dedicadas a anúncios.

Embora Alfredo de Carvalho tenha registrado, nos "Anais", que O Liberal Victoriense só viveu até meados de 1877, a publicação foi mais além. Existe, por exemplo, na biblioteca do Instituto Histórico de Vitória de Santo Antão, comprovante do nº 208, ano IX, de 6 de abril de 1878, em formato 48 x 32, com quatro páginas a quatro colunas de 14 cíceros. Constava do cabeçalho, abaixo do título: "Semanário Democrático, Noticioso e Literário, dedicado aos Interesses do Povo pernambucano".

Abriu a edição o editorial "O Gabinete Liberal", atacando os "conservadores perdidos na opinião, gastos e corrompidos que a todo transe se querem filiar à democracia, tendo somente em vista o interesse pessoal". Concluiu, após uma série de considerações: "O Liberal Victoriense que, por força das circunstâncias, tinha-se eclipsado entre as brancas nuvens da liberdade, volta ao seu antigo posto de honra, equipado de carabina ao ombro".

Seguiu-se matéria de rotina, complementando-a duas páginas de reclames comerciais.

Ainda mais: A Província, do Recife, louvando o jornalista Manuel Bernardo Gomes Silvério, "esforçado paladino da imprensa liberal na cidade da Vitória", em sua edição de 9 de maio de 1878, reproduziu o artigo comemorativo da edição de aniversário d'O Liberal Victoriense, acompanhando-lhe o erro de "dez anos", em lugar de nove. Dele vão aqui transcritos os tópicos principais, que definem até onde afirmava o idealismo de um homem devotado à sua causa e ao seu jornal:

"Dez anos de existência completa a nossa gazeta. Contamos dez anos de sacrifícios, vexames e contrariedades; até o próprio sangue serviu de holocausto aos assassinos que policiavam esta vitória em 1868, cujos remorsos e crimes trucidam-lhes as negras almas. Nunca vimos perigos que não os agrontássemos, embora cercados de ameaças e perseguições. Muitas vezes tentaram rebentar a nossa imprensa; repetidas vezes tentaram também contra a nossa existência; porém, para desesperá-los de raiva, para cauterizar tão cancerosas chagas, pouco valor dávamos à vida; lutamos desesperadamente. A nossa tenacidade era aplaudida pela imprensa democrática do país". LINK

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